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Belindia digital - exclusao digital por opcao
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Antonio Morales de Camargo
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Jul 13, 2001 14:02 PDT
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Interessante o artigo abaixo.
Exclusão digital por opção: será que professores
fazem essa opção? Se fazem como lidar com isso?
Antonio Morales
Belíndia digital
Lúcio Fonseca
O ritmo da mudança é estonteante . Nos próximos três anos, a humanidade vai
produzir mais informações do que toda a quantidade produzida até agora, é o
que informa um estudo especialmente produzido pela Universidade de Berkeley.
A escola está preparada para preparar seus alunos para lidar com este oceano
de dados?
Novos e novos avanços tecnológicos impactam diária e dramaticamente nossas
vidas: o fenômeno do comércio eletrônico, que cresce exponencialmente,
alterando a forma de as pessoas lidarem com os produtos e seus fornecedores;
as megafusões entre gigantes das comunicações; a velocidade dessas mesmas
comunicações trazendo os mais particulares detalhes de acontecimentos em
qualquer tempo e lugar do mundo para a frente dos nossos olhos, em tempo
real; a onipresença do telefone celular e um vasto etc.
Na Universidade de Drexel, nos EUA, as tecnologias sem fio já prometem
revolucionar a vida acadêmica. Em seu "campus sem fio", com a ajuda de um
adaptador que custa 175 dólares, acoplado ao seu laptop, qualquer aluno
poderá acessar a rede de alta velocidade de Drexel, enviar e-mail, fazer
pesquisa na Internet ou verificar suas tarefas, estando dentro de qualquer
um dos edifícios da Universidade ou sentado placidamente debaixo de uma
árvore.
O outro lado desta fantástica realidade é a percepção clara do aumento
contínuo da exclusão digital.
Em casos extremos, como no Peru, apenas 7,9% da população tem acesso a
telefone.
Que dirá a computadores.
Incluir os excluídos é um desafio e tanto. No Brasil, iniciativas como a do
Proinfo e a tentativa de disponibilizar um computador barato para
universalização do acesso à Internet buscam minimizar o problema.
Neste cenário, há um fenômeno que intriga: o de pessoas e profissionais que,
tendo todos os recursos tecnológicos à disposição, se recusam a utilizá-los.
Tal fenômeno, que eu chamaria de MEDO - Modelo de Exclusão Digital por
Opção - ocorre em várias áreas, tanto aqui como no exterior.
Quando vejo secretárias de médicos procurando em enormes arquivos de metal
aquelas fichas de clientes, amareladas pelo tempo (as fichas, não os
clientes) e os próprios médicos escrevendo, escrevendo, não consigo deixar
de pensar em quanto seria útil para eles um simples Access ou, maravilha das
maravilhas, um Palmtop.
Pior ainda é pensar que, optando por não usar a tecnologia, o médico acaba
deixando de dar a seus clientes o melhor acompanhamento (quantas informações
ele poderia ter sobre o paciente, se tivesse armazenado digitalmente, por
exemplo, seus exames e radiografias, ao longo dos anos).
Na área educacional também o fenômeno MEDO se manifesta e nos leva a uma
reflexão, que jogo no ar: no caso de profissionais que são responsáveis pela
formação de gerações de futuros trabalhadores que só terão chances se forem
"Knowledge workers" - trabalhadores do conhecimento - será um direito optar
por continuar usando apenas os seculares recursos da palavra e do giz?
Na medida em que esta opção pelo conservadorismo pode afetar
irremediavelmente a empregabilidade de uma infinidade de pessoas, será justo
que o direito individual (inquestionável enquanto pessoa e questionável
enquanto profissional) se sobreponha aos interesses coletivos?
Ao lado de procurar prover a escola dos recursos tecnológicos necessários e
de procurar por todos os meios estimular os professores a usá-los, cabe à
liderança, a meu ver, colocar esta questão, principalmente para aqueles mais
resistentes.
Estes, além de estarem colocando em risco sua própria sobrevivência
profissional - isto é um direito - colocam em risco a sobrevivência
profissional de seus alunos, a sobrevivência da escola em que trabalham e -
por extensão - a dos próprios colegas - e isto não me parece direito. Acho
mesmo que aqueles que não gostariam de atualizar-se tecnologicamente não
podem furtar-se de fazê-lo, por dever de ofício (basta imaginar um médico
que se recusa a solicitar e analisar um exame de ressonância magnética por
sentir-se mais confortável pedindo ao paciente que diga "trinta e três").
Preparar os professores e motivá-los a integrar a tecnologia em sua prática
acadêmica: este é o desafio que, vencido, nos afastará da síndrome da
Belíndia Digital: nações e pessoas hábeis no uso das tecnologias da
informação concentrando o poder, em detrimento dos milhões de "indigentes
tecnológicos".
Gostaria de ouvir a opinião dos leitores sobre a questão direito individual
X interesses coletivos, da forma como foi aqui apresentada. O que você acha?
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