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Polemica
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Antonio Morales de Camargo
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Jul 14, 2001 14:07 PDT
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Ordenação de mulheres e celibato continua provocando
polêmica na Igreja Católica.
Antonio Morales
Tribuna da Imprensa, 14/07/2001
Dom Mauro Morreli provoca polêmica na assembléia da CNBB
INDAIATUBA (SP) - Uma questão levantada pelo bispo de Duque de Caxias, d.
Mauro Morelli, ao pedir a opinião de monsenhor Bruno Forte, membro da
Comissão Teológica Internacional, do Vaticano, sobre a ordenação sacerdotal
de mulheres e de homens casados, provocou polêmica ontem pela manhã no
plenário da Assembléia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), em Itaici, distrito de Indaiatuba, a 120 quilômetros de São Paulo.
"As leis eclesiásticas estão me impedindo de providenciar a eucaristia para
o povo", desabafou d. Mauro, depois de esclarecer que, como fez em 1992 na
conferência do episcopado latino-americano em Santo Domingo, República
Dominicana, não defende a ordenação de mulheres pelo fato de serem mulheres
nem a de homens casados porque eles são casados.
Recorrendo a um argumento teológico para interpelar o teólogo italiano, d.
Mauro disse que tanto mulheres como homens casados deveriam ser admitidos ao
sacerdócio pelo fato de poderem ser pessoas "eminentes na fé e excelentes na
caridade, portanto cristãos capacitados para a distribuição da eucaristia,
sacramento pelo qual se realiza a plenitude da Igreja". Metade do auditório,
com mais de 200 bispos, padres e freiras, aplaudiu.
Monsenhor Bruno pediu permissão para responder como teólogo, livrando-se com
isso de dar uma opinião pessoal. "O que posso dizer é que a história não
registra a ordenação de mulheres, mas registra, sim, a ordenação de homens
casados", lembrou ele, acrescentando que, ainda hoje, as igrejas católicas
de rito oriental ordenam homens casados.
"Na viagem que João Paulo II fez recentemente à Ucrânia, programou-se um
encontro dele com um grupo de seminaristas que estariam acompanhados de suas
noivas", revelou monsenhor Bruno. Sem confirmar se o encontro chegou a
concretizar-se, pois não foi divulgado, o teólogo confidenciou que o papa
gostou da sugestão.
D. Mauro Morelli lamenta que o teólogo não tenha respondido diretamente à
sua pergunta. "Eu sei dos fatos históricos, queria era saber a opinião de
monsenhor Bruno", justificou. A questão virou o assunto do dia durante o
almoço em Itaici.
Enquanto outros bispos comentavam o episódio com discrição, padres e freiras
da Assessoria da CNBB elogiavam a intervenção de d.Mauro. O bispo de Jundiaí
(SP), d. Amaury Castanho, argumentou que não seria possível defender a
ordenação de mulheres, já que Jesus Cristo não incluiu nenhuma mulher entre
os apóstolos, mas afirmou ser favorável à admissão de homens casados. "Acho
que dentro de uns 15 a 20 anos a Igreja adotará essa prática", prevê o
bispo. Em sua opinião, a questão não deveria ter sido levantada na
assembléia.
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